sexta-feira, 21 de junho de 2019

Um guia para a compra de um bom arco de violino












Escolher um arco pode ser uma tarefa difícil, dada a multiplicidade de produtos no mercado. Aqui estão vários pontos simples a considerar em relação a escolha de um bom arco de violino.

Se você é um iniciante com habilidades técnicas limitadas, você faz poucas exigências em relação ao seu arco. Não é provável que você ainda precise das qualidades de um arco fino e caro. Por enquanto, você simplesmente precisa de um arco com uma vara razoavelmente forte e uma boa curvatura; um arco que não seja muito pesado ou leve e com um equilíbrio adequado. À medida que suas habilidades aumentam, o mesmo acontece com suas exigências sobre o arco e com sua capacidade de reconhecer as diferenças.

Um bom arco deve se tornar uma extensão da sua mão direita. Deve fluir com você enquanto você toca com pouco esforço. Quando você pega um fino arco francês - talvez um Peccatte ou um Voirin - ou um arco moderno bem feito, você pode instantaneamente sentir que o arco tem o poder de ter um melhor desempenho, dando-lhe mais confiança e permitindo que você jogue com menos esforço. Então, se você falhar em sua técnica isso se deve à sua falta de habilidade ou preparação e não à falha do arco.

Antes de começar sua busca por um arco, há algumas coisas que você deve saber sobre o processo de seleção.

Materiais usados na fabricação

Os materiais básicos usados ​​em varas de arcos são o pau-brasil, também conhecido como pau pernambuco, e a fibra de carbono.
O artigo de Veronica Angyalossy, Erika Amano1 e Edenise Segala Alves, encontrado no link http://www.scielo.br/pdf/%0D/abb/v19n4/a18v19n4.pdf também traz excelentes elucidações sobre o tema.

Desde o final do século XVIII, o pau-brasil tem sido a madeira escolhida pelos melhores arcos. É uma madeira densa e pesada que vem de várias áreas no Brasil e parece possuir a combinação certa de força, elasticidade e capacidade de resposta. Existem muitas subespécies e enorme variação de qualidade. Os principais fabricantes de arco gastam muito tempo procurando e escolhendo apenas as madeiras de melhor qualidade, rejeitando quase todo o resto. Devido à degradação ambiental, o pau-brasil é hoje escasso e, como resultado, o governo do Brasil impôs severas restrições à exportação dessa madeira, tornando-a rara e cara.

A falta de pau-brasil disponível pode ser responsável pela qualidade dos produtos no mercado de arcos. Muitos músicos consideram o trabalho dos grandes fabricantes franceses do século XIX como o último marco na fabricação de arcos de qualidade. Dessa forma surge a seguinte questão: Por que os fabricantes atuais não conseguiram igualar o trabalho dos fabricantes antigos? Alguns dizem que as espécies de pau-brasil usadas por seus antecessores não existem mais e que se extinguiram no início do século XX. Outros acham que fabricantes como Tourte, Peccatte, Simon, Pajot e seus contemporâneos foram simplesmente os melhores. Certamente seus arcos são únicos. Muitos têm uma qualidade suave e flexível que faz o arco quase parte de sua mão; o som que esses arcos produzem pode ser completo e rico. Mais de uma vez, ouvi a frase “suave como manteiga” ao descrever um belo arco francês antigo. No entanto, outros músicos preferem arcos modernos que sejam mais rígidos, mais fortes e mais rápidos em resposta.

Nos últimos 20 anos, os arcos de fibra de carbono tornaram-se populares, em parte devido à escassez de pau-brasil. Arcos de fibra de carbono - fabricados a partir de vários tipos de fibra de carbono ligados com uma resina - possuem muitas das qualidades do pau-brasil. A fibra de carbono também é durável e, em sua faixa de preço, representa um bom valor.

A fibra de vidro também tem sido usada para arcos baratos às vezes encontrados com os instrumentos de menor preço para os estudantes. Sua principal vantagem é a durabilidade e acessibilidade.
Independentemente do material selecionado, todos os arcos compartilham certas considerações quando se trata de sua capacidade de produzir som e responder a todos os requisitos técnicos.

Som

Os músicos inexperientes geralmente ficam surpresos com a forma como arcos diferentes podem criar sons diferentes em seus instrumentos. Essas diferenças são sutis e podem ser claramente ouvidas pelo músico, mas às vezes podem ser ouvidas pelo público. O respeitado archetier americano, Morgan Andersen, nos diz que um arco flexível tem um som mais suave e mais completo. No entanto, se a vara for muito mole, o som pode não ter clareza e definição. Um arco mais rígido e forte dará um som mais brilhante e mais focalizado. Às vezes, um arco excessivamente rígido pode produzir um som áspero e nervoso. É difícil encontrar um arco que proporcione um som suave e amplo e, ao mesmo tempo, tenha uma grande clareza de foco e a rapidez de resposta proveniente de um arco mais forte e rígido.


Peso e Equilíbrio

O peso médio de um arco de violino é de cerca de 60 gramas (um arco de viola é de 70 gramas; um arco de violoncelo, 80 gramas). Mas lembre-se, isso é apenas uma média. Muitos arcos dos grandes fabricantes do passado pesam apenas 54 gramas e ainda tocam lindamente. Por outro lado, um arco de violino de 66 ou 68 gramas seria pesado demais para quase todos. Equilíbrio adequado é muito mais importante que o peso. Existem músicos que nem sequer olham para um arco se ele não pesa 60 gramas. Mantendo este padrão, eles estão perdendo boas oportunidades de conhecer grandes arcos. Se um arco ficar bem na sua mão, provavelmente estará certo. Um arco deve ficar natural na mão - bem equilibrado de ponta ao talão com peso igual.


Redondo ou octogonal?



Os grandes mestres franceses raramente faziam arcos octogonais. Ainda hoje, a maioria dos principais fabricantes produz predominantemente arcos redondos. No entanto alguns músicos só gostam de arcos octogonais. Em dois arcos feitos da mesma madeira, o eixo octogonal será mais rígido. Alguns arcos octogonais são bastante rígidos, criando um tom rígido e unidimensional, sem nuances. Alguns dos produtores de arcos comerciais alemães fazem uma versão redonda e octogonal do mesmo arco, sendo o octogonal um pouco mais caro. Acho que isso contribuiu para o mito de que os arcos octogonais são melhores.



Na loja

Então, como você deve encontrar o melhor arco? O primeiro passo é estabelecer um orçamento, mas espere ver os arcos que são um pouco mais caros. Se você não sabe muito sobre arcos, sugiro que faça muitas pesquisas para se informar sobre o que está disponível.
Quando você for a uma loja, lembre-se de trazer seu próprio violino e seu arco atual como referência. Cada arco terá um desempenho diferente em diferentes instrumentos. Lembre-se de que você está procurando um arco que complemente seu violino. Depois de escolher um ou dois, peça para ver um pouco mais. Toque a mesma passagem muito breve com cada arco, um após o outro. Há uma boa chance de que um ou dois se destaquem.
As primeiras impressões são muito importantes. O arco não deve parecer muito leve ou pesado na mão. Não deve ser muito fraco ou macio: não deve perder facilmente a flexibilidade durante a execução ou flexionar muito lateralmente. E deve ser reto quando vista a partir do talão até a ponta, ou seja ele deve ter a envergadura normal, porém ao ser observado do ponto de vista do talão até a ponta, não deve estar torto nem para a direita, nem para a esquerda.
Toque uma combinação de arcadas, incluindo legato, spiccato, sautillé e assim por diante. Os Etudes-Caprices Op. Wieniawski. 18, n ° 4, é bom para dar uma ideia de como o arco se comporta em passagens difíceis e rápidas de travessia de cordas. Se isso for muito difícil, use alguns dos exercícios do Sevcik. Toque uma passagem perto do talão, no meio e perto da ponta. Você deve poder tocar confortavelmente com todas as partes do arco. Tocando devagar, ouça o som que cada arco produz e sinta como o arco trabalha. Você perceberá diferenças sutis em clareza, volume de som, ruído superficial e assim por diante. Verifique se o arco valoriza ou não o seu instrumento.
Enquanto você está na loja, use seu tempo com eficiência. Você está lá para encontrar um arco, não para executar ou praticar. Depois de escolher os dois ou três arcos que preferir, peça para testá-los por uma semana. Experimente-os mais extensivamente em casa, no seu conjunto ou orquestra, e mostre-os ao seu professor para comentários. Se as sugestões do seu professor forem importantes para você, certifique-se de que elas estejam disponíveis dentro de uma semana. No entanto, mostrar os arcos a muitos outros músicos só irá confundi-lo. Todos provavelmente terão uma opinião diferente e essas opiniões podem não ser úteis. Lembre-se, o arco será seu, não deles. Você deve tomar a decisão final.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Afinação em instrumentos de corda friccionada


     
           Basicamente devemos entender que para podermos afinar uma nota temos que saber que ela produz outras notas além dela que são seus harmônicos. Esses harmônicos possuem uma regra intervalar específica que é determinada pela série harmônica (vejam no meu livro Teoria Musical - Estruturas Rítmicas, Melódicas e Harmônicas). 


Série Harmônica














         Muitas vezes as notas tocadas ou as notas da série harmônica encontram correspondência com as cordas soltas dos instrumentos de corda, outras vezes não encontram. Muitas vezes também a correspondência não se dá com o primeiro harmônico ou o segundo gerado pela nota, mas com o quarto ou quinto. Vamos aos exemplos:

         1. Tocando a nota dó 4. 

            O primeiro harmônico gerado é outro dó e depois o sol. Esse sol encontra correspondência com a corda solta sol. Nesse caso o segundo harmônico gerado obteve uma correspondência. 


        2. Tocando a nota mi b 3. 

           O primeiro harmônico é outro mi b, depois si b, depois mi b e o seguinte é ré. Nesse caso o quarto harmônico encontra correspondência com a corda solta ré.

       3. Tocando a nota do#. 

          Os harmônicos são do #, sol #, do #, mi #, sol #, la #, si. Nesse caso não há correspondência com nenhuma corda solta.
Após os exemplos fica claro entender que podemos afinar o instrumento usando algumas técnicas como:

                                                                                   
 


1. Comparação. 

      Na comparação, muito usada também por alunos iniciantes, a pessoa toca as notas sempre comparando o som delas com o do professor, gravação etc.







 2. Audição de intervalos. 

              O aluno, além de comparar o som compara também o intervalo entre as notas, ele identifica bem a
estrutura escalar e a replica de forma correta sempre observando as segundas, terças, quartas etc. Porém não observa com exatidão a produção de harmônicos por cada nota, assim a afinação fica muitas vezes "aproximada" da real.





3. Afinação por comparação entre duas cordas. 

            O instrumentista compara cordas vizinhas identificando, assim o som dos intervalos harmônicos. Para que isso aconteça o músico tem que estar bem treinado auditivamente, isso só se consegue com muito trabalho de percepção musical.








 4. Afinação por harmônicos. 

            Como toda nota produz harmônicos a pessoa afina o instrumento baseando-se nos harmônicos gerados por cada nota, obviamente há também a comparação intervalar e a comparação com outros instrumentos que possivelmente possam estar tocando junto. Dessa forma a pessoa tem certeza da afinação.



        É importantíssimo esclarecer que o processo de aprimoramento de afinação até chegar ao nível 3 não é simples e deve ser acompanhado de muito capricho, trabalho apurado, observação e sobretudo MUIIIIIITTTTOOOOOO SOLFEJO.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Diferenças entre resinas claras e escuras - Decifrando o que é, como é feito e qual é a mais indicada para cada caso




Resina escura e resina branca



    Resina ou breu, o acessório onipresente para qualquer instrumentista de cordas, é na verdade um mistério para a maioria dos músicos. Poucos sabem como é feito, como funciona e quais tipos são melhores para seus instrumentos.
Para ajudar a decodificar o mistério, aqui estão algumas informações valiosas sobre essa pequena caixa de resina escondida no compartimento de acessórios do estojo do instrumento.
     O que é resina exatamente? A resina - colofão ou colofônia, como é conhecida pelos luthiers - é uma resina coletada de aproximadamente 110 tipos diferentes de pinus na Europa, Ásia, América do Norte e Nova Zelândia. O nome colofônia remonta à antiga cidade de Colóphon, na Lídia, que produziu um alto grau de resina originalmente usado para criar fumaça para procedimentos médicos e mágicos.
      Documentos dos séculos IV e II a.C. informam que a colofônia era um produto importante nos antigos grandes centros da Grécia, Macedônia, Ásia Menor e Egito. Nesta época, o poder de um país no comércio e no seu armamento era diretamente influenciado pelos seus recursos florestais. O alcatrão e a colofônia eram produtos utilizados na calafetagem dos barcos de madeira, impermeabilização de cordas e lonas, funcionando, também, como combustível para as tochas e inúmeras outras aplicações, principalmente as ligadas à indústria naval. Nos países de língua inglesa, atualmente ainda se usa o termo naval stores para indicar os produtos resinosos.



Resina sendo retirada da árvore

      A resina é extraída diretamente de árvores vivas em um processo de extração - da mesma maneira que o xarope de bordo é coletado (o processo não prejudica a árvore). Primeiro, uma pequena área da casca externa da árvore é removida. Em seguida, a árvore é equipada com um canal de gotejamento e um contêiner de coleta. Finalmente, a árvore é cortada com ranhuras em forma de V, com cerca de 1 cm (0,39 polegadas) de largura, logo acima do canal de gotejamento. Essas marcas induzem o fluxo de resina para dentro do contêiner (os cortes devem ser renovados a cada cinco dias ou mais para garantir o fluxo contínuo da resina da árvore).






Resina sendo derretida e misturada com outros produtos
     Depois que a resina é coletada, às vezes é misturada com outros sucos de árvores - geralmente de lariços, abetos ou abetos - para criar uma fórmula especializada (os criadores de resina são tão reservados quanto suas receitas individuais quanto os fabricantes de violino). Esta fórmula é então purificada por esforço e aquecimento em grandes cubas até as resinas estarem completamente fundidas. Depois de cozida, a mistura é despejada em moldes. Depois que a mistura fica por cerca de 30 minutos, a resina é suavizada e polida. A resina é empacotada em um pedaço de pano ou encaixada em um recipiente de vedação apertada.







Produtos adicionados à resina e resina derretida sendo colocada na forma



Como funciona a resina em um instrumento de corda 


     O renomado especialista em acústica Norman Pickering afirma: "A primeira impressão que se tem é que a crina do arco possui escamas que agarram a corda e a fazem vibrar, o que não é de todo correto".

     James McKean diz que:

“É a adesão da resina pegajosa entre o cabelo do arco e a corda que faz o trabalho. O arco puxa a corda na direção do movimento da proa até que a adesão se rompa - você chega ao ponto em que não consegue mais puxar. A corda se encaixa e vibra em qualquer frequência que esteja sintonizada".

      Escolhendo e usando a resina Ao comprar a resina, primeiro determine se você está procurando por um produto para estudantes ou profissionais. A resina de qualidade estudantil é mais barata, geralmente tem um som mais forte e produz mais pó do que as resinas profissionais. Para alguns instrumentistas isso é uma vantagem, mas para músicos mais experientes as resinas profissionais de preço mais alto atendem melhor às suas necessidades. A resina de grau profissional é criada a partir de uma resina mais pura e geralmente produz um som mais suave e controlado.

      Em seguida, decida entre clara, ou âmbar e resina escura - às vezes também definida como resina de verão (clara) e de inverno (escura). A resina escura é mais macia e geralmente é pegajosa demais para clima quente e úmido - é mais adequada para climas frios e secos. Como a resina clara é mais dura e não tão pegajosa quanto a mais escura, ela também é preferível para as cordas de instrumentos mais agudos.

      Richard Ward, da Ifshin Violins, em Berkeley, Califórnia relata que:

“Qualquer tipo de resina - exceto a resina de baixo, que é muito, muito mais suave e faria uma bagunça em um arco de violino - praticamente funciona em qualquer instrumento, as resinas mais leves tendem a ser mais duras e mais densas - um bom ajuste para violino e viola, resinas mais escuras e mais suaves são geralmente preferidas pelas cordas mais graves como cello e baixo. ”

      Algumas empresas também adicionam metais preciosos às suas receitas - outra opção a considerar ao comprar resina. Não é incomum ver ouro, prata, chumbo-prata e cobre adicionados à resina. Estes materiais supostamente aumentam a fricção estática da resina, criando diferentes qualidades tonais.


Resina misturada com ouro em pó
      Diz-se que a resina de ouro produz um tom quente e claro e é apropriada para todos os instrumentos. A adição de ouro à mistura de resina pode suavizar um instrumento de som severo. Os artistas solos geralmente descobrem que a resina de ouro os ajuda a produzir um tom mais claro e definido.
      A resina prateada cria um tom concentrado e brilhante e é especialmente boa para desempenho em posições mais altas. É mais adequado para o violino ou viola.
     A resina de chumbo-prata é bem adequada tanto para o violino quanto para a viola e é uma resina macia, mas não pegajosa. Aumenta o calor e a clareza, produzindo um novo tom de reprodução.
O cobre é o mais usado entre todos os aditivos de resina. Essas resinas podem ajudar a tornar o toque mais fácil para um iniciante (e dizem que são as melhores para instrumentos de tamanho 1/2 e 3/4). O cobre cria um tom muito quente e quase aveludado. Esta resina também é popular entre os instrumentistas de viola da gamba.

Qual o melhor formato de resina?



A resina vem em forma de bolo ou em caixa . A resina em caixa é geralmente mais barata do que a resina em bolo e geralmente é clara. É uma resina universal e pode ser usada para qualquer instrumento de cordas (excluindo o baixo), em qualquer época do ano. A resina em caixa é vantajosa para os estudantes que usam arcos não ortodoxos. Uma vantagem da resina em caixa é sua qualidade durável - ela é muito menos propensa a rachaduras e quebras. No entanto, se você não for cuidadoso ao aplicá-lo, você pode encostar a caixa na crina do arco e, assim, arrebentar algumas crinas. A resina em bolo tende a ser uma resina de alta qualidade e mais pura. Está disponível em âmbar a cores pretas sólidas (e em misturas de verão e inverno).



Resina em forma de bolo e resina em caixa 


     O pó criado a partir da aplicação de breu às vezes é irritante para os instrumentistas. Para combater as alergias a colofônias, algumas empresas também oferecem colofônia hipoalergênica. Esta alternativa é encontrada predominantemente na forma de bolo e não cria nenhum resíduo ou pó quando usado.Não importa qual a resina escolhida, use-a com moderação.

Ward afirma:
“Muitas pessoas usam muita resina - você não precisa aplicar a resina toda vez que toca; uma vez a cada quatro ou cinco vezes é mais que suficiente. Se você precisar bordar com tanta frequência, seu arco provavelmente precisará de uma boa renovação ”.
     Para evitar que o acúmulo de resina danifique seu instrumento, mantenha um pano macio no estojo do instrumento e limpe bem as cordas, o instrumento e o bastão do seu arco depois de cada vez que você acabar de tocar.


    Artigo escrito por Por Heather K. Scott e editado em português e enriquecido pelo professor Luiz Garcia

domingo, 20 de novembro de 2016

A Técnica do Arco


I) Movimento circular


    A colocação do arco na corda, o ponto de tangência e o início do som são pontos importantíssimos na técnica do arco. Observemos os seguintes detalhes:

                 a) Colocação do arco na corda - É feita por meio de movimentos circulares. Esses movimentos podem ser horários ( usados quando o arco é movido para baixo) ou anti horários (usados quando o arco é movido para cima). Devem ser estudados no talão, meio e ponta com os seguintes movimentos:









 

   O dedo mínimo da mão direita precisa ficar posicionado de forma correta para conseguir fazer a supinação que é um contrapeso e serve para que o arco repouse suavemente sobre a corda e a toque de forma leve produzindo um som aveludado.

                 b) Ponto de tangência - Se localiza entre o espelho e o cavalete.



    O ponto de tangência pode mudar de acordo com a mudança de posição da mão esquerda. Nesse caso o que era errado na primeira posição passa a ser correto em posições mais altas.



               c) Início do som - É feito de forma crescente e sem interrupção a princípio, como uma voz humana cantando uma suave melodia. Assim como no início, o final do som deve ser de forma decrescente, perene e também sem interrupção.

II) Roulé


     O roulé é o movimento de virada de arco fazendo com que a crina deste fique hora virada para o rosto do executante e hora encostando toda na corda. Esse movimento é gradual. O arco muda de angulação em relação a corda no seu caminho do talão até a ponta ou da ponta até o talão seguindo a angulação que nos mostram as figuras a seguir:

                            Arco no talão                                                                              Arco no meio

                 








                    Arco pouco acima do meio                                                              Arco na ponta

                

No livro Il violino nella storia: maestri, teniche, scuole de Enzo Porta temos:


"La technique supériesar de l'atrhet, di Lucien Capet, apparsa nel 1916 a Parigi (Salabert, rist. 1952), è un lavoro di 144 pagine dedicato esclusivamente all'arco. Secondo Capet, la più spinta virtuosità della manosinistra sarà inutile ove non sia sorretta da un'altrettanto elevata virtuosità nell'uso dell'arco, che permetterà a cia-scuno di tradurre gli elementi più sottili e più profondi nella ricreazione dell'opera d'arte. Artista tra i più celebri del suo tempo, l'equivalente francese di ciò che era per il mondo germanico il grande Joachim, Capet si ri in quest'opera teorico e didatta tra i più profondi. Egli perviene alla sensi& • • ne massima della tecnica dell'arco, in linea con i grandi maestri che lo hanno p uto stabilendo tuttavia una versione più moderna della scuola franco-belga. Nella tenuta dell'arco egli modifica la posizione del pollice opponendolo al medio, piegato a formare con esso un anello in grado di far ruotare su se stessa la bacchetta (v. la trattazione del roulé, per padroneggiare questo piccolo prezioso movimento"), in modo da aumentare o ridurre la quantità dei crini che aderiscono alla corda. L'indice e il mignolo premo-no l'uno in una direzione, l'altro in quella opposta, secondo le necessità; l'anulare aiuta ora l'uno ora l'altro. I movimenti e le funzioni delle singole dita sono analiz-zati con la massima precisione, e altrettanto sviluppato è il concetto di parallelismo, quale fondamento di una buona condotta dell'arco. Segue un capitolo sulla divisio-ne o suddivisione dell'arco. Questa prospettiva appare nuova, poiché Capet l'ha portata fino all'estremo, dall'impiego di tutto l'arco fino alla suddivisione in ottavi di esso, con numerosi esempi. Seguono gli esercizi sul roulé", sul quale l'autore si dilunga raccomandando che esso sia eseguito dalle sole dita senza altri movimenti del polso o del braccio, per ottenere il controllo completo del rapporto crine-corda. Il trattato prosegue con lo studio delle note lunghe semplici e di difficili combina-zioni di note doppie, in cui l'equilibrio dell'arco è difficoltoso, con suoni filati e note d'accompagnamento, e con l'applicazione dei colpi d'arco che l'autore aveva ben illustrato nella parte teorica. Ci sembra opportuno segnalare l'ondulato, o tratteggiato, che unito al roulé può dare all'arco una rara completezza espressiva. Pochissimi sono gli esempi musicali e i riferimenti estetici. Capet ha concepito un'opera altamente speciali-stica, del tutto in linea con la tendenza didattica del primo Novecento, in cui ogni argomento doveva essere sviscerato al massimo in una prospettiva scientifi-ca. Malgrado ciò risulta evidente la statura musicale dell'autore, l'ideale di altis-sima espressività che sta alla base di ogni suo insegnamento. Non dimentichia-mo, a questo proposito, il filone quartettistico che lega Capet, attraverso il suo maestro Maurin, a Baillot stesso, in una comune tensione verso la massima raf-finatezza dell'arco, indispensabile per realizzare al meglio i capolavori della lette-ratura quartettistica. "






De acordo com Marco Antônio Lavigne e Paulo Gustavo Bosísio em sua obra Técnicas Fundamentais de Arco para Violino e Viola (1999:51):


Para obter uma qualidade de som mais profunda e flexível, não basta que o arco ezteja apoiado sobre a corda; é preciso que ele a penetre, que ele a possua, e para isso é necessário acrescentar ao apoio vertical (facilitado pela elasticidade da vareta) uma espécie de flexibilidade horizontal aumentando a sensibilidade desse apoio. Devemos fazer com que cada dedo da mão direita possua um controle infinitamente mais sutil do que o simples apoio de toda a mão. Isso ocorrerá através de um golpe de arco ao qual daremos o nome de golpe de arco roulé (a vareta deveré girar de um lado para outro entre o polegar e o médio durante o estudo do golpe de arco). (Capet 1929:23); o movimento básico consiste em estender e flexionar o polegar durante a arcada; observar a distribuição do arco".


III) Spiccato


     Som cortado e marcado, executado pelo conjunto dedos, punho e braço. O pulso e o braço entram no movimento. O spiccato deve ser executado na parte do arco em que se encontra o ponto de equilíbrio, nele o arco tem mais flexibilidade e consegue assim que o arco salte um pouco. O ponto de equilíbrio não é o mesmo que o meio do arco, ele fica antes da metade, mais próximo do talão. Esse salto do arco é controlado pelos dedos, pulso e o movimento envolve também o braço direito como um todo. Devemos estudá-lo bem devagar, a princípio no talão, meio e ponta.

     Segundo Marco Antônio Lavigne e Paulo Gustavo Bosísio em sua obra Técnicas Fundamentais de Arco para Violino e Viola (1999:24):


"O spiccato é um dos principais golpes de arco, caracterizando-se por um movimento cíclico, elástico e pendular, que faz com que as crinas do arco saiam da corda após cada nota. • Neste sentido, poderia ser subdividido em uma fase na corda — quando as crinas tangem a mesma, colocando-a em vibração — e duas fases aéreas — quando as crinas abandonam a corda, para a mudança de direção do arco.
O sucesso de um spiccato depende de fatores que vão desde questões relativas às condições materiais — qualidade do instrumento, peso do arco, resistência da vareta, tensão das crinas, curvatura do cavalete, espessura das cordas etc. —, até outras que dizem respeito ao comportamento do executante — regularidade da arcada para cima e para baixo, ponto de contato do arco com as cordas, âmbito das diversas fases (aérea e na corda), quantidade e região do arco etc.
O movimento utilizado para a realização do spiccato tem origem no détaché. Sem um détaché de boa qualidade, torna-se impossível a realização de um bom spiccato. Por isso, recomenda-se que todas as passagens em spiccato sejam precedidas por minucioso estudo em détaché.
Muitos problemas que ocasionam a falência de um spiccato, advêm de questões que não dizem respeito ao golpe de arco propriamente dito. Dentre outros poderíamos citar a contratura do braço, a ausência de paralelismo, sonoridade deficiente, distribuição ou quantidade de arco defeituosa, falso ponto de contato, mudança de corda irregular, inclinação desproporcional do arco etc..
Quanto ao spiccato em si, os erros mais freqüentes estão relacionados com uma fase aérea muito pronunciada - que gera uma arcada excessivamente percutida -, ou fase na corda inconsistente, de resultado pouco satisfatório.
Spiccato é um golpe de arco que necessita de um balanço próprio. Mal comparando, seria com uma bola posta a quicar por um jogador de basquete. A bola quica por si só, mas os movimentos harmônicos e regulares do jogador são imprescindíveis, para que isso aconteça.
Em relação à velocidade, o spiccato possui limites de realização, tanto no que diz respeito ao menor, quanto ao maior tempo a ser executado". 

sábado, 17 de outubro de 2015

As escolas violinísticas


          Afirmar que existem escolas violinísticas com padrão didático-pedagógico bem definido, certamente é aceitável. O que não é possível aceitar é o fato de que essas escolas se mantenham intactas durante anos, que as idéias de seus precursores não sejam adaptadas para os novos tempos e que muitas não se mesclem com outras e que não respeitem os limites e individualidades dos alunos. Um exemplo disso é Carl Flesch que teve sua formação profissional em diversos países, a saber: Áustria, França, Alemanha, Romênia, Holanda, Inglaterra e Suíça. Devemos considerar também que a literatura produzida em uma escola violinística serve de base para outras que as utilizam muitas vezes formando um emaranhado de métodos mesclados de diversas escolas. Outro ponto a ser abordado é a diferença entre escola violinística, filosofia de ensino violinístico e metodologia para o ensino violinístico. Toda escola violinística tem uma filosofia. A escola violinística é fundada sobre técnicas específicas de posicionamento de corpo, modo de segurar e conduzir o arco, interpretação, posicionamento da mão esquerda, maneira para melhor se executar as mudança de posições, modo de estudo etc. Uma filosofia violinística pode repousar apenas sobre como o instrumento e seu ensinamento é encarado. Dessa forma a técnica pode vir de outra escola e a filosofia de como aplicá-la outra fonte diferente. Assim preserva-se a parte técnica de uma escola e modifica-se a parte psicológica. Podemos dizer que na verdade muitas escolas violinísticas se preocupam mais com a técnica do que com o psicológico.
A metodologia de ensino já está relacionada com o como aplicar a técnica e se assemelha nesse ponto com a filosofia. Enquanto nessa última há toda uma preocupação com o todo musical na metodologia a preocupação é apenas de como se aplicar a matéria, a técnica já elaborada antes por outros pensadores.


          As escolas violinísticas são classificadas de acordo com as localidades que, através de um ou vários profissionais, influenciaram mais na didática violinística. Sendo assim temos por exemplo a escola francesa, tcheca, alemã, piamontesa, franco-belga, russa etc.

          Hartnack afirma:

"Basta lembrar, por exemplo, que o violinista Leopold Auer (1845-1930), húngaro, por mero acaso se estabeleceu em São Petersburgo, e por isso é visto como o fundador da escola russa. Como seria se ele tivesse lecionado em Madri, na Espanha? Falaríamos em uma escola ibérica, ou espanhola? Carl Flesch, também húngaro [sic], utilizou alguns elementos das escolas francesa [sic] e russa em sua metodologia. Deveríamos, dessa forma, mencionar uma escola berlinense, ou da cidade de Baden- Baden, na Alemanha?" 
                                                                                                                                           (HARTNACK, 1967, p. 21)

           Antes de tudo devemos definir o que é uma escola violinística. Para considerarmos que exista uma escola é preciso notar que ela deve ser criada por um especialista. Esse é o ponto principal para sua criação. Esse especialista, como o próprio título já sugere, deve possuir amplo domínio sobre a matéria, tanto na parte prática quanto teórica. Suas observações sobre o assunto devem ser criteriosas e possuir base científica comprovada. Também não podem ser meras variações sobre escolas anteriormente estabelecidas. Suas mudanças devem ser consistentes. Além disso essas observações consistentes e com base científica devem ser aceitas e propagadas por outros especialistas do ramo. O que deve ser entendido é que a palavra pode ser usada também como um termo histórico em vez de um conceito substancial.

          No caso do violino uma escola deverá abranger técnicas da mão esquerda, direita, processos didáticos e interpretação. O resultado deve ser comprovado. Observamos que as diversas escolas violinísticas se diferem sempre nesses pontos. Podemos observar algumas das chamadas escolas violinísticas:


Arcangelo Corelli
(1653 - 1713)

1) Escola italiana antiga ou escola romana (Século XVII) - Foi a primeira escola violinística. Criada por Arcângelo Corelli e Giuseppe Tartini. Corelli foi praticamente o fundador e aquele que formalizou os sucessivos progressos alcançados pelos primeiros grandes violinistas que também foram italianos e propagaram essa escola pela Europa. Dentre eles citamos Biagio Marini, Giovanni Battista Fontana, Vitali, Bassani, Torelli etc.







Jean-Pierre Guignon
(1702 - 1774)
2) Escola francesa antiga (Século XVIII) - Foi criada sob influência da escola italiana de Corelli. Seus fundadores foram Anet, Rebel, Du Val, Francoer, Jean-Pierre Guignon, Jean-Fery Grabu Louis, Sébastien de Brossard, Elisabeth Jactet de La Guerre etc. Estes constituem efetivamente uma pequena parcela de todos os violinistas franceses que poderemos citar desta época. Enquanto os mestres italianos trouxeram grande conhecimento nas escolas francesas, o nível de criatividade e técnica de compositores franceses eram também muito desenvolvidos.

          Com o tempo, a escola francesa fora enriquecida com novas habilidades e ganhou fama ao longo dos séculos modernos e pós modernos se afirmando definitivamente nos tempos modernos como uma escola superior.

          No entanto devemos entender que a escola francesa não se iniciou com a chegada dos italianos em solo francês, bem antes disso os violinistas franceses já haviam estabelecido suas fronteiras e marcaram seu território musical havendo portanto uma influência italiana mas não uma criação da escola francesa pelos italianos.



Leopold Mozart
(1719 - 1787)
3) Escola alemã antiga (Século XVIII)- O método de Leopold Mozart (Versuch Einer Grundlichen Violinchule) tem grande importância nessa escola. Esse método foi publicado 16 anos mais tarde que o de Geminianni. Nele observamos 16 regras de arcadas que são muito úteis para se tocar as músicas do período mozartiano. Denomina de posições inteiras as impares (I - III - V - VII) e de meia posição as pares (II - IV - VI ). Quanto ao arco, o indicador mantém contato com a vareta do arco através da sua última falange (falange distal), e todos os dedos formam um ângulo praticamente reto em relação ao arco. Quase não há pronação do antebraço;





Giovanni Battista Viotti
(1755 - 1824)
4) Escola Piamontesa, Piemontesa ou italiana moderna (Século XVIII) - É uma escola quase que totalmente desaparecida. Foi transplantada para a França e seus nomes mais importantes foram Jean Marie Léclair, aluno de Somis; e Giovanni Battista Viotti (provável fundador), aluno de Pugnani. Essa escola ensina em primeiro lugar a cantar o violino de uma maneira que não admitia charlatanismos, sem artifícios, obtendo assim uma técnica de mão esquerda adequada a estes princípios e conferindo muita importância à soltura do braço direito que permitia realizar os golpes de arco com maior perfeição. Essa escola tinha como finalidade converter o violino em algo mais que simples instrumento de virtuoso. Mestres de Haydn a Mendelsson se valeram de seus ensinamentos. Entende-se então que os estudos e obras  desta escola serviram de modelo para toda literatura de câmara e de orquestra que surgiram na Áustria nessa época.





Rudolphe Kreutzer
(1766 - 1831)
5) Moderna Escola Francesa (Século XVIII) - Teve como precursores Pierre Rode, Pierre Baillot e Rudolphe Kreutzer que é o nome mais conhecido dessa escola. A peça mais famosa é o Concerto nº 22, em lá menor de Viotti. O mesmo Viotti teve grande influência nessa escola e muitos acreditam que ele foi o fundador da escola francesa, porém devemos observar que isso não é verdade. Viotti pertencia a escola chamada Piamontesa ou Italiana moderna. Nasceu em Fontanetto, uma comuna italiana da região do Piemonte, província de Vercelli. Rudolphe Kreutzer teve sua influência através do método de violino (Art du Violon - 1834) escrito em conjunto com Rode e Baillot para o Conservatório de Paris


       
   

          Quanto a Baillot, Fétis, na sua Biografia Universal dos Músicos, afirma:

"...mais, si grand que fût le mérite des deux premiers, les études classiques de Baillot, ses habitudes de méditation et sa facilité à s'exprimer en termes élégants et précis, lui donnaient un avantage reconnu pour la rédaction d'un tel ouvrage. D'un commun accord, il fut convenu que ce travail lui serait départi, et c'est à cette résolution, digne d'aussi grands artistes, qu'est dû le beau monument qui fut alors élevé par le Conservatoire à l'art du violon." 

          Obviamente esta escola teve grande influência da escola Piamontesa de Viotti. Algumas obras que contribuíram par essa escola foram:


  • Méthode de violon du Conservatoire par Baillot, Rode et Kreutzer. Naderman, Paris 1802.
  • Violinschule : von dem Conservatorio der Musik in Paris beym Unterricht eingeführt. Breitkopf und Härtel, Leipzig 1815.
  • Méthode de violoncelle et de basse d'accompagnement (aves Levasseur, Catel, et Baudot). 1804 ; édition bilingue français-allemand, Kühnel, Leipzig vers 1805.
  • L’art du violon : nouvelle méthode - 1834.
  • Observations relatives aux concours de violon du Conservatoire de musique - 1835. Didot frères, Paris 1872.
  • Notice sur les travaux du Conservatoire impérial et sur les objets soumis à son examen pendant l'année 1812. Hocquet, Paris 1812.


Charles Auguste de Bériot
(1802 - 1870)


6) Escola franco-belga (Século XIX) - Iniciada por Carles-Auguste de Beriot e mais tarde Henry Vieuxtemps é um desdobramento da escola francesa de Charles de Bériot, com a qual até mesmo a escola russa esta relacionada, já que Rode e Baillot passaram anos na Rússia, Rode 1804 - 1808 e Baillot 1805 - 1808. O indicador toca a vareta do arco através da sua segunda falange (falange medial), permanecendo relativamente afastado dos outros dedos. Há uma pequena pronação do antebraço.







Louis Spohr
(1784 - 1859)
7) Escola alemã (Século XIX) - A escola franco-belga, geralmente considerada como tendo suas raízes no ensino de Charles de Bériot (1802-1870), coexistiu com e, em certa medida, em oposição a uma escola alemã menos definida. Como a escola franco-belga, esta escola também foi inspirada pelos princípios da escola de Viotti, nesse caso interpretada na visão de professores influentes como Louis Spohr (1784-1859) e Joseph Boehm (1795-1876). Nem a escola era monolítica, nem eles permaneceram estáticos em seus ensinamentos ou preceitos estilísticos. As práticas e princípios da tradição franco-belga foram moldados e amplificados por figuras influentes como Henri Vieuxtemps (1820-1881), Henryk Wieniawski (1835-1880), e Eugene Ysaÿe (1858-1931), enquanto os da tradição alemã foram ainda transmitidos e desenvolvidos por alunos de Spohr e Boehm, mais notavelmente Ferdinand David (1810-1873), Jacob Dont (1815-1888), Joseph Hellmesberger (1828-1893) e Joseph Joachim (1831-1907). Joachim (aluno tanto de Boehm e David), uma figura de destaque no desempenho final do século XIX e um professor reverenciado, era amplamente visto até o final do século, como a personificação de uma tradição distinta em tocar violino ao estilo alemão. Nos primeiros anos do século XX, no entanto, os preceitos artísticos e técnicos que constituem o núcleo desta tradição alemã foram se tornando cada vez mais fora de contato com os gostos em mudança da época. Uma geração após a morte de Joachim em 1907 alguns dos objetivos estéticos já não eram encontrados mais, e praticamente nenhum vestígio das técnicas distintas que tinham caracterizado a sua abordagem para violino conseguiram sobreviver no mundo musical profissional. Essa escola é apresentada em detalhe minucioso no Joachim e Moser Violinschule de 1905.

          Marie Soldat com suas performances preservou muitas das características essenciais que a levaram a ser descritas como uma representante fiel da Escola alemã de Joachim. É também verídico que ela estava diretamente ligada a  Pott e a tradição de Spohr.

          Para os músicos que aspiram a executar a música do século 19, e talvez também a do século 18 tardio, de uma forma que reflita mais de perto as expectativas de seus compositores, as gravações de Soldat oferecem muitas perspectivas fascinantes. Embora violinistas modernos não desejem tocar Bach na forma do século 19, no estilo de Joseph Joachim e seus contemporâneos, há todas as razões para acreditar que no repertório de Mozart a Brahms, sua maneira de tocar é muito mais próxima ao estilo desses compositores do que qualquer tipo de desempenho moderno que estamos propensos a ouvir.


               József Joseph Bohm
                     (1795 - 1876)
8) Escola húngara (Século XIX)- Teve início com o violinista húngaro József Joseph Bohm , quando em 1819 começou a ensinar a primeira classe de violino no Conservatório de Viena. Böhm havia estudado em Budapeste, com seu pai, e com Pierre Rode (provavelmente quando estava na Rússia), então ele é o elo entre a escola francesa (uma evolução da escola italiana através Viotti) e a escola húngara. Aulas de Bohm deu à luz os seguintes violinistas húngaros: Joachim, Auer, Flesch, Otto Cantor, Tivadar Nachez, Hubay e violinistas de outras nacionalidades como Hellmesberger, Jacob Dont, Ernst (romeno), Ferdinand Laub, Franz Kneisel e Karl Klingler.
          Joachim vai ensinar em Berlim, Auer na Rússia e na América, Flesch na Suíça e Inglaterra, Hellmesberger e Dont em Viena, Hubay em Bruxelas e Budapeste, Laub na Rússia, Klingler na Alemanha e Kneisel na América. Entre os violinistas alunos que estavam na academia Budapeste, criado por Hubay, encontramos Tibor Varga (diretor da Academia de Música de Sion), André Gertler (Bruxelas), Joseph Szigeti (Budapeste) , Sandor Vegh (diretor do Mozarteum), Ilona Feher (professor de Shlomo Mintz em Tel Aviv), Oskar Voltar (fundador da escola de Amesterdam), Béla Katona. Temos também Kato Havas, Géza Szilvay, Paul Rolland, Robert Gerle e Shinichi Suzuki. Os quatro primeiros estudaram na Academia de Budapeste, na mesma atmosfera cultural e com a mesma técnica. Suzuki estudou em Berlim com Klingler (aluno de Joachim). Estes violinistas são mencionados por causa de sua fama, mas eles são parte de uma longa lista de pessoas-chave na vida musical mundial provenientes da escola húngara. O caminho de Karl Klingler também leva a Alphonse Brun e Alfred Ellenberger na Suíça.

          Kato Havas é autor do livro "Medo do palco", em que todos os problemas de postura são confrontados. Sensíveis a estes problemas, Rolland criou o sistema escolar violino em os EUA e colaborou com F. Matthias Alexander. Géza Szilvay organizou a cadeia de departamento na Academia Sibelius em Helsinque. Robert Gerle colaborou com Paul Rolland e Kato Havas e trabalhou nos Estados Unidos.  Na Academia de Budapeste há uma classe pedagogia do violino desde o ano de sua fundação, em 1875. Desde essa época a fundação está a recolher elementos tocantes a tradição e pesquisadores do violino. Grande importância é dada à pedagogia e à sua difusão.


Otakar Sevcick
(1852 - 1934)
9) Escola Tcheca (Século XIX - XX) - Tem como fundador Otakar Ševčík (22 de março de 1852 - 18 de Janeiro de 1934) violinista e professor influente. Foi professor principal de violino do Conservatório de Praga e do Conservatório Kiev. Seu método atesta profundo conhecimento da anatomia e fisiologia do braço e da mão. Podemos citar Schule der Violintechnik, op, 1, em 4 partes (1883); Schule der Bogentechnik, com 4000 exercícios para o arco, op. 2 com 6 cadernos (1903); Vierzig Variationen zur Anwendung der springenden Stricharten, op. 3; Trillervorstudien, em duas partes, op. 7; Lagenwechsel - und Tonleiter-Vorstudien, op. 8, Dopplegiff-Vorstudien, op. 9 e Violinschule für Anfänger, op.6.





10) Escola russa (Século XIX) - Tem como fundador Leopold Auer. Não se ocupa de grandes investigações  científicas nem de tratados especiais; é simplesmente empírico. Quanto ao arco pregava que o dedo indicador mantém maior contato com a vareta do arco, tocando-a com a segunda falange. Os dedos permanecem em extensão parcial, próximos entre si, e formando um ângulo bem mais agudo em relação à vareta do arco. O antebraço sofre pronação acentuada, e o dedo mínimo só encosta na vareta quando se utiliza a região inferior do arco. Apesar disso o próprio Auer acreditava que não poderia haver uma regra fixa e precisa para estabelecer como os dedos devem ficar no arco e obterem um determinado efeito.


Leopold Auer
(1845 - 1930)


Carl Flesch
(1873 - 1944)
11) Tradição Flesch-Rostal (chamada por alguns de Escola Franco-belga-russa - Século XIX) - sugere uma maneira de manusear o arco, com naturalidade, na qual a mão esteja relaxada e o indicador toque a vareta através da sua segunda falange (falange medial). Além disso, o dedo médio e o anular devem se manter próximos entre si, o dedo mínimo permanece arredondado (em flexão parcial), e o polegar, oposto aos outros dedos, fica posicionado mais ou menos na altura do indicador ou entre o indicador e o dedo médio.
         
        
          O movimento vertical do braço (abdução e adução do membro superior direito) a partir da articulação do ombro (articulação glenoumeral); movimento diagonal do braço, também realizado a partir da articulação do ombro; movimento de rotação do antebraço (pronação e supinação) a partir da região do cotovelo (articulação radio ulnar); movimento diagonal do antebraço (flexão e extensão) a partir do cotovelo (articulação úmero ulnar); movimentos do punho (articulação radiocárpica) e  movimentos dos dedos (flexão e extensão metacárpica e interfalangiana).

Paulo Bosísio
(1950)
          Lavigne e Bosísio (1999, p. 13) lembram que os movimentos básicos não são os golpes de arco, mas “visam dar ênfase às diversas articulações do membro superior direito, que, mais tarde, sutilmente coordenadas, formarão os golpes de arco”, e ainda que “a priorização de uma articulação não implica no enrijecimento de outras, que devem permanecer relaxadas.”

          A principal crítica de Carl Flesch em relação à escola antiga alemã diz respeito, justamente, à técnica de arco, e mais especificamente, a um mau costume de se manter o cotovelo direito sempre baixo, próximo ao corpo (FLESCH, c2000, p. 35).

        Quanto ao arco Flesch (c2000, p.35) e Rostal (1993, p. 58) distinguem e analisam três diferentes maneiras de segurar o arco, correspondendo às escolas alemã antiga, franco-belga e russa. Os autores se baseiam principalmente nas questões da colocação do dedo indicador, que determinará a posição dos outros dedos sobre a vareta, e do grau de pronação do antebraço.

Marco Antônio Lavigne
         
      Apesar da complexidade de movimentos envolvidos na realização dos diversos golpes de arco, Flesch (c2000, p. 38-40), Rostal (1993, p. 66) e Bosísio (LAVIGNE e BOSÍSIO, 1999, p. 13-16) dividem seu estudo entre seis movimentos básicos do membro superior direito, que podem ser pesquisados individualmente.

      Berta Volmer fala da experiência como assistente de Rostal (em 1980 já computava 22 anos
de trabalho conjunto).Traduzirei aqui as partes que considero mais importantes do relato daquela palestrante:

        "De início não foi tão fácil para eu compreender seu novo estilo de ensinar, ordenar informações e, principalmente, transmiti-las com convicção. Eu achava, como ex-aluna agradecida a Flesch, que aqueles ensinamentos do velho professor não poderiam ser ultrapassados. Reconheci, entretanto,e em pouco tempo, que era preciso renovar, pois a obra de Flesch (A Arte de Tocar Violino e outras) encontrava-se impregnada com o gosto de 50 anos atrás. Por isso tudo é possível afirmar que o novo método de ensino de Rostal, como ele mesmo diz, representa não uma revolução, mas uma evolução.
          Na mão esquerda há uma visão bem mais crítica sobre os “glissandi”. Para isto foram necessárias transformações na técnica das mudanças de posição, como também a ampliação (abdução) de dedos e outras possibilidades, como a preparação do polegar, diminuindo distâncias. A idéia estabelecida por Rostal, onde quase sempre as extensões devem ser montadas para trás e não para frente, como de costume, parece ser revolucionária.
           Rostal evita muito mais que antigamente o abuso de cordas soltas e harmônicos em notas longas, não permitindo aí a conseqüente e constante mudança de timbre. A condução do braço esquerdo como um todo (Armsteuerung), era no mínimo negligenciada ou até mesmo ignorada em outrosmétodos, para prejuízo de uma afinação confiável.
          A colocação simultânea dos dedos da mão esquerda quando em mudança de corda, contribuindo para uma sincronização entre mão esquerda e direita, parece ser uma constante na técnica de Rostal. Na mudança de cordas em cordas duplas, a manutenção apenas da nota mais aguda, por um fragmento mínimo de tempo antes da troca de cordas, no caso ascendente, e da mais grave, quando em troca de parelha de cordas descendentes, faz-se com muito mais serenidade, planejamento e unidade sonora.
             Flesch diferenciava os três tipos de vibrato (braço, pulso e dedo), mas não se aprofundava mais quanto ao uso interpretativo dele, considerando um bom vibrato aquele que apenas não incomodava por ser rápido ou lento demais. Uma variação na forma de vibrar não era para ele tão importante. Para Rostal o domínio de matizes de vibrato é básico, e sempre relacionado com a necessidade estética do momento, dentro da mesma obra, aumentando e modificando as possibilidades específicas.
             No braço direito também muito aconteceu, sempre tendo como base o princípio: adquirir um ganho real de técnica, de qualidade sonora, de expressividade, em suma, um resultado final do mais alto nível com o mínimo de gasto no gestual ou de esforço. Bem especial é o princípio vigente para o braço direito, em que os movimentos lentos são idênticos aos grandes movimentos e são realizados através das articulações maiores, enquanto os movimentos rápidos se identificam com os pequenos movimentos, executados com as pequenas articulações. Sobre esta base renovou-se, com precisão, os seis movimentos básicos do arco proposto por Flesch, bem como os três empunhamentos do arco (normal, no talão e na ponta). A mudança de arco no talão se aprimorou, e encontrou em Rostal quem lhe dedicasse novos aspectos técnicos, correspondendo às exigências estético musicais.
           O uso de certos golpes de arco tornou-se mais claro, através de propriedade terminológica, podemos citar como exemplo o caso da diferença entre spiccato e sautillé, que têm diferenças técnicas e mecânicas bem distintas, nem sempre compreendidas por alguns teóricos do instrumento. Na técnica de construção do ricochet e do staccatto preso e volante, também aí se evoluiu muito, inclusive em mudanças da forma de se empunhar o arco.
            O uso inteligente e dedutivo de uma correta divisão de arco, ponto de contato em relação às cordas e, sobretudo sua revolucionária técnica de acordes elevou a técnica do braço direito a um patamar bem mais elevado e preciso que o de Flesch.
          A interpretação, como discurso artístico, musical, humano e emocional, é a grande constante de Rostal, área que ele dominava com incrível mestria. Isto é invariável em sua obra, tendo origem em profundo estudo musicológico que se faz sentir desde suas primeiras publicações como revisor.
          Incomum talento analítico faz com que Rostal, não só em suas edições, mas também em suas próprias interpretações, seja compreendido de forma plena por seus alunos. Ele reorganizou informações impregnadas por muitos tabus e má tradição (aqui lembramos Mahler, que advertiu que muita tradição pode ser também preguiça), criando uma nova estética violinística e interpretativa que, além de seus alunos e alunos destes, ampliar-se-á ainda mais.
          Flesch e sua geração não podem ser por isso condenados, por não terem dado muita atenção ao “Urtext” (texto original). Aquele foi um tempo onde editor, público e estudantes ansiavam por edições que trouxessem arcadas, dedilhados e fraseado de algum grande e aclamado violinista, só assim compreende-se que tão grandes artistas, como Flesch ou Schnabel incluíssem em suas revisões um enorme número de sinais de dinâmica ou expressividade do próprio punho, onde fica difícil saber o que é do compositor e o que é por conta do revisor (por exemplo, a edição das sonatas deMozart para piano e violino, revistas por Flesch e Schnabel).
          Da mesma forma temos que admitir com pesar que a edição das Partitas e Sonatas para violino solo de Bach, elaborada por Flesch, não corresponde mais ao nível da pesquisa musicológica de hoje. Além disto, por algumas vezes, a escolha do dedilhado é muito influenciada por idéias românticas. O aprimoramento do gosto musical acabou exigindo, mesmo por haver muito material “Urtext” disponível, o trabalho minucioso e comparativo com aqueles textos originais, e isto Rostal fez como ninguém. Já os puristas entendem como respeito à vontade do compositor, uma leitura do original isenta de crítica e até mesmo com tolerância à execução de evidentes erros da escrita ou de impressão.
           Aí está um mérito inquestionável de Rostal, onde ele entende a clara combinação de um texto
original sem dúvidas com a execução prática, ligadas a sugestões interpretativas. Suas sugestões podem ser comparadas ao texto original, ficando livre para cada um seguir seus conselhos ou distanciar-se de sua opinião. A edição de Rostal das Partitas e Sonatas para Violino Solo de Bach, traz um relato da revisão, oferecendo informações e justificativas para este ou aquele pensamento interpretativo. Esta postura tão responsável incentivou até outros seguidores, todos dignos de elogio.
Sob o ponto de vista pedagógico, nas mais de 2.000 aulas que assisti ministradas por ele, nunca presenciei cenas dramáticas, observações irônicas ou qualquer tipo de mau-trato. Rostal considerava as particularidades físicas e psicológicas do aluno bem mais do que foi feito anteriormente. Desta forma, apesar de sempre reconhecível em seus alunos sua maneira de tocar, sua marca registrada, cada um deles é capaz de preservar sua própria personalidade musical.
          A realização instrumental e concepção musical possuem características típicas em Rostal. O conhecimento dos princípios de causa e efeito, enfim, sua imensa sabedoria possibilita soluções imediatas de problemas técnicos e musicais, deixando um despreparado observador atônito.
           Rostal pertence ainda àquela geração na qual o professor não apenas ensina, mas também é capaz de exemplificar qualquer coisa diante do aluno, devido a sua experiência como solista, constituindo um modelo prático e real, e não apenas teórico."
          Suas principais obras são:
  • The Art Of Violin Playing, Book 1 
  • The Art Of Violin Playing, Books 2
  • Scale system for violin.

Max Rostal
(1905 - 1991)




12) Nova Escola Violinística Italiana (Francesco Sfilio - Século XX) - Seu autor afirma haver reconstruído a escola de Paganini, de quem estudara muito seriamente a postura e produção. Segundo Francesco Sfilio em seu Curso de alta cultura violinística - 1937:




Francesco Sfilio


"Examinei todos os problemas técnicos relacionados com cada dificuldade do instrumento e creio ter revelado e provado muitos dos meios empregados por Paganini. De todos os modos os meios não são essenciais, posto que , se os resultados respondem a todas as exigências físicas e naturais do violino, pouco importa se para alcançar o caminho seja um ou outro"




          Os dois pequenos fascículos  que integram a Nova Escola Violinística Italiana registram o mecanismo básico para a mão esquerda e arco, fundado em uma metodologia que na maioria dos casos se separa completamente dos preceitos teóricos e práticos contidos em tratados similares como os de Otakar Ševčík, Joachim/ Moser, Flesh e outros pdagogos. Não se trata de uma obra volumosa dado que o autor trata de harmonizar tudo com o princípio tantas vezes reiterado por Paganini, no sentido de alcançar resultados brilhantes em um tempo relativamente curto. O mecanismo geral do instrumento se obtém por meio de breves fórmulas baseadas nos princípios psico-fisiológicos e na experiência de um artista altamente autorizado. Se combate tudo que é irracional. Não se aceita, por exemplo, a mão escolástica que avança ou retrocede por saltos de uma a outra posição guiada por articulação de antebraço obrigando os dedos a conservar o tirânico intervalo de quarta. 


Ivan Galamian
(1903 - 1981)
13) Escola Americana  (Século XX) Podemos dar o mérito a Ivan Galamian (violinista iraniano - que nasceu em 1903 e faleceu em 1981) o fato de ordenar uma metodologia que possa ser descrita com americana, embora haja algumas controvérsias. Seu livro "Principles of Violin Playing and Teaching" foi escrito por alunos e colaboradores respeitando suas idéias. Em suas idéias afirma que a obsessão por regras fixas, desconsiderando o princípio da naturalidade é sua principal preocupação. Prega também que, por mais importantes que sejam os elementos individuais na técnica violinística, mais importante é a interdependência deles numa relação recíproca orgânica. Defende por fim que a enfase dada aos aspectos puramente físicos e mecânicos da teoria violinísticas, ignorando o fato de que o mais importante não são os movimentos físicos como tais, mas o controle mental sobre eles. Diz Galamian em seu "Principles of Violin Playing and Teaching". P. 2.






"A chave para facilitar, precisar e, por fim, dominar completamente a técnica do violino é basear-se na conexão da mente com os músculos que é, na habilidade para fazer a sequência comando mental-reação física, tão rápida e precisa quanto possível. Nisto reside o princípio fundamental da técnica violinística que está sendo negligenciado e desprezado por tantos executantes e professores."

          As principais obras dessa escola são:


  •  Principles of Violin Playing and TeachingGalamian (with colaboration by his students)
  • Contemporary Violin Technique, Part I, Scale and Arpeggio Exercises; 
  • Contemporary Violin Technique, Part II, Double and Multiple StopsGalamian (with Neumann), New York.


14) Filosofia Suzuki (Século XX) -  Podemos dizer que Shinichi Suzuki (violinista japonês, que nasceu em 1898 e morreu em 1998) foi o fundador dessa filosofia. Suzuki não considerava sua filosofia como " método de ensino. Dizia ele:



Shinichi Suzuki (1898 - 1998)
"Você não pode comprar dez volumes de livros de Suzuki e se tornar um "professor Suzuki. O Dr. Suzuki desenvolveu uma filosofia que, quando entendida ao máximo, pode ser uma filosofia de vida. Ele não está tentando criar o mundo de violinistas. Seu principal objetivo é abrir um mundo de beleza para crianças em todos os lugares que eles possam ter maior prazer em suas vidas através do que Deus nos deu os sons de música." 
                                             (Hermann, 1971)





          Suzuki desenvolveu suas idéias através de uma forte crença nas idéias de "Talent Education", um método de instrução que ele desenvolveu. No Festival Nacional de 1958, Suzuki disse:

 "Embora ainda numa fase experimental, a "Talent Education" já percebeu que todas as crianças do mundo mostram as suas capacidades esplêndida por falar e compreender a sua língua mãe, assim, exibindo o poder original da mente humana. Provavelmente este método de aprendizado da língua materna seja a chave para o desenvolvimento humano e a "Talent Education" aplicou este método para o ensino de música. Crianças sem aptidão anteriormente demonstram quase sem exceção, um grande progresso Isso não quer dizer que todos podem atingir o mesmo nível de realização. No entanto, cada indivíduo pode certamente alcançar o equivalente a sua língua com proficiência em outros campos "
                                                                                                                                (Kendall, 1966)

          Como muitos auto-didata professores, Suzuki desenvolveu suas teorias da educação infantil a partir da experiência pessoal e evidências ao invés de pesquisa científica ou experimento controlado. Suzuki também colaborou com outros pensadores de sua época, como Glenn Doman, fundador do Instituto para a realização do potencial humano, uma organização que estuda o desenvolvimento neurológico em crianças pequenas. Suzuki e Doman concordou com a premissa de que todas as crianças tinham grande potencial. Suzuki entrevistou Doman para o seu livro onde o amor é profundo. Suzuki emprega as seguintes idéias da "Talent Education" em suas escolas a pedagogia da música:


  1. O ser humano é um produto de seu ambiente. 
  2. Quanto mais cedo, melhor - não só com música, mas toda a aprendizagem. 
  3. Repetição de experiências é importante para a aprendizagem. 
  4. Professores e pais (ambiente humano adulto) deve ser de alto nível e continuar a crescer para proporcionar uma melhor situação de aprendizado para a criança. 
  5. O sistema ou método deve envolver ilustrações para a criança com base no entendimento do professor de quando, o quê, e como (Kendall, 1966). 

Características básicas da pedagogia Suzuki:

• educação do talento, com base na imersão;

• objetiva formar o homem e não o instrumentista (embora o faça também); 

• contato sistemático com o material programado (gravado em CDs) para a escuta (não necessariamente o que lhe é próximo); 

• repertório dos 10 volumes, constando de peças eruditas e de domínio público, sequenciadas para fins didáticos a partir da análise do que está contido em cada uma (gradual inserção de habilidades técnicas, passo a passo); 

• ouvir e tocar (ao invés de ler e tocar); tocar por imitação de modelos de competência, carregados de afetividade; EDUCAÇÃO DO OUVIDO (relações e sistemas - ver GUILFORD, níveis dos produtos gerados a partir dos conteúdos);

• tripé professor - aluno - família (mãe);

• leitura: quando o aluno estiver se sentindo "confortável" no seu instrumento;

• liberdade para o prof. inserir outras peças e recorrer a estratégias diversas para otimizar o ensino; demanda, da parte do prof, análise do elenco de competências e programação de sua apresentação e esquema de fixação (planejar o ensino); 

• o repertório comum facilita a integração de instrumentistas tocando junto, em concentrações regionais, nacionais e internacionais do método Suzuki; 

• tocar de imediato, mesmo que só saiba executar um som no instrumento, ou uma só posição; 

• apresentar-se desde cedo e sistematicamente em concertos públicos; 

• ênfase nas estratégias de reforço (programação do reforço, a recompensa). Ex: o aplauso gratifica mesmo diante de uma habilidade mínima adquirida; na seqüência linear das peças de um volume, "amenizar" a progressão inserindo uma peça que não requer habilidades novas, mas que fixa as já adquiridas, ou que requer somente transferência; 

• continuar aperfeiçoando peças já dominadas, já executadas, adquirindo prazer no melhor desempenho (ser desafiado a tocar com outra técnica de articulação, com mudança de intensidade, tocar oitava acima); não acontece de se abandonar o repertório;
• concertos: dos alunos que estão nos últimos volumes aos que estão no primeiro, terminando o concerto sempre com um grande número de instrumentistas no palco, ao invés da figura do "solista virtuoso"; 

• dosar sempre aula individual / em grupo; 

• tocar em conjunto, com resultado que provem do cruzamento de partes mais e menos elaboradas (prática de conjunto).

          O aspecto de aprendizagem epistemológico, ou, como Suzuki chamou, a "língua materna" da filosofia, é aquele em que as crianças aprendem através de sua própria observação do seu meio ambiente. O movimento Suzuki em todo o mundo continua a utilizar as teorias que Suzuki apresentou em meados da década de 1940.




15) Metodologia folclórica brasileira (Desenvolvido pelas professoras Linda Kruger e Anamaria Peixoto - Século XXI. Segundo as autoras:

"O objetivo deste método é possibilitar aos alunos iniciantes de cordas no Brasil o ensino da música, através do contato com as manifestações folclóricas brasileiras"
          Não podemos  classificá-lo como uma escola mas sim uma tendência que poderia chegar a se desenvolver. 





Referências

         Livros:

  • El violin,- Manual de cultura y didactica violinistica; Pasquali, G.; Principe, R. Editora Ricordi.
  • Violin Playing as I Teach It; Auer, Leopold. Ed. Dover Books on Music.
  • O Arco dos Instrumentos de Cordas; Dourado, Henrique Autran.
  • Principles of Violin Playing and Teatching; Galamian, Ivan
  • Biographie Universelle des Musiciens; Fétis, Françoise-Joseph (1866)



           Sites:

  • http://www.nacuzi.com/map/Violinists'%20History%20Map.html
  •  http://www.musicologie.org/Biographies/b/baillot_pierre.html
  • http://violinovirtuose.blogspot.com.br/
  • http://chase.leeds.ac.uk/article/the-decline-of-the-19th-century-german-school-of-violin-playing-clive-brown/